segunda-feira, 5 de maio de 2014

Breve Relato de um Sonho Erótico


Você lembra das outras postagens sobre Sonhos na perspectiva analítico-comportamental? Não? Segue o link de ambas: Como Interpretar Sonhos? Parte 1 e Parte 2.

Bom, hoje conversaremos um pouco sobre um breve relato sobre um sonho erótico fictício que me contaram...


Não, aqui não diremos que a causa dos sonhos eróticos seja culpa dos Súcubo ou Íncubo (demônios do sexo) como explicavam as pessoas na Idade Média. Então, vamos lá... 

Sabe aquelas conversas sem pé e nem cabeça que ocorrem no cotidiano? Bom, existem alguns que inevitavelmente te fazem lembrar dos Princípios Comportamentais. Este relato foi um destes momentos. Vamos, então, ao relato de Maria (nome fictício):

Faz uma semana que não faço sexo, nem sinto falta. Não entendo estas pessoas que ficam estressadas quando ficam sem sexo ou coisa parecida. Mas, sabia que já fazem três dias que tenho sonhos eróticos? Pois é, a pessoa vem no sonho e faz tudo comigo, tudo! Mas nem sei porquê eu tenho estes sonhos, afinal, não sinto falta. Te juro!

Jura?
Vamos tentar fazer uma breve análise funcional do relato? De inicio, o motivo pelo qual eu fui a audiência não punitiva do relato tem relação com a minha formação em Psicologia e Maria, muito possivelmente, estava tentando entender as relações simbólicas de seu sonho erótico...
Bom, vocês já devem ter passado por situações em que ou não via uma pessoa queria há muito tempo ou faziam determinada atividade prazerosa, como comer bolo de chocolate, por exemplo, e "do nada" você ouve a voz da pessoa querida em meio a multidão ou a confunde com outra pessoa (notadamente, causando situações embaraçosas). Essas situações, podemos chamar de sentir na ausência da coisa sentida, mas, neste caso, isso ocorreu porque a pessoa estava sob privação da presença da outra.

Alguém lembra dos sonhos da Sookie em True Blood?
E os condicionamentos clássicos entre a cor vermelha e cenas sensuais?
Em outros casos, sentir na ausência da coisa sentida pode ocorrer em função de outros controles de estímulos. Por exemplo, você vê a capa de um álbum de Rock que você curte e se pega ouvindo ela dentro da sua cabeça. Tudo isso é sentir na ausência da coisa sentida que ocorreu por meio de controle verbal que eu emiti.

Tendeu?
Sendo assim, a partir do relato de Maria, ela estava sob privação de sexo, mas não conseguia perceber isso. Podemos inferir que ela não aprendeu a discriminar em que condições ela sente falta de sexo. Afinal, nem tudo o que vivemos é algo que sabemos identificar. Por exemplo, é comum vermos em filmes infanto-juvenil cenas em que há frases mais ou menos assim: Fulano, você está apaixonado, sabia?

E os condicionamentos clássicos entre a
cor vermelha e as cenas sensuais da personagem Jéssica?
Em resumo: fica claro que a jovem Maria sente falta sim de sexo, mas não consegue discriminar em que condições ela sente falta de sexo. Isso pode ser explicado por que vivemos em uma sociedade machista na qual as mulheres são, normalmente, punidas quando relatam interesse em fazer sexo ou por sentirem falta de sexo. Nossa hipótese dela estar sob privação de sexo é baseada no relato de sonho erótico, que é um comportamento de sentir na ausência da coisa sentida e pode ocorrer dentro de situações de privação, e quando dormimos é difícil que hajam grandes controles de estímulos para além das sensações corporais a que estamos sujeitos.


Curiosidade: vocês sabem o que é Polução Noturna? É quando alguém, seja do sexo feminino ou do sexo masculino, têm sonhos eróticos e têm um orgasmo durante o sono. Para além do contexto de privação, alguns estudiosos defendem que, para o sexo masculino, os sonhos eróticos que ocasionam orgasmos tem função de eliminar o excesso de sêmen do organismo. E lembrando, tinha quem acreditasse que se tratavam de Súcubos e Íncubos...

Finalizando: foi a partir deste breve relato que pudemos levantar hipóteses para uma Análise Funcional (AF) do relato de um sonho erótico. Vimos que as condições antecedentes de privação tem alta probabilidade de controlar o comportamento de sonhar eroticamente. Também supomos que o relato ser direcionado a um sujeito com graduação em Psicologia tenha relação com estes sujeitos serem os profissionais que "sabem das coisas da cabeça".

Então: bye bye!

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